FALHA EM GPS ATINGE JATOS EMBRAER DA AZUL, CANCELA MAIS DE 80 VOOS E AFETA CERCA DE 8 MIL PASSAGEIROS

Problema atingiu operações dos E195-E2 e provocou alterações na malha aérea; Embraer e fabricante dos equipamentos investigam ocorrência. Em Campinas, situação coincidiu com apagão em Viracopos, ampliando um dia de transtornos aos passageiros
Uma instabilidade na recepção dos sinais de GPS dos jatos Embraer E195-E2 operados pela Azul Linhas Aéreas provocou uma sequência de cancelamentos e atrasos nesta terça-feira (22).
Segundo informações divulgadas pela companhia, mais de 80 voos foram cancelados e aproximadamente 8 mil passageiros foram afetados.
A ocorrência ganhou ainda mais relevância para a região de Campinas porque Viracopos é o principal centro de conexões da Azul e, no mesmo dia, o aeroporto enfrentou outro problema completamente distinto: uma falha elétrica no terminal de passageiros.
Ou seja, foram duas ocorrências diferentes atingindo a operação aérea no mesmo dia.
O QUE ACONTECEU COM OS AVIÕES?
A ocorrência envolveu problemas na recepção do sinal GPS em aeronaves da família E2, incluindo os Embraer E195-E2 utilizados em larga escala pela Azul.
A companhia inicialmente classificou a ocorrência como uma instabilidade global no sistema de GPS e adotou medidas operacionais preventivas.
Os efeitos foram expressivos.
A operação dos E195-E2 da Azul chegou a praticamente parar durante algumas horas na noite de terça-feira.
Análise realizada pelo site especializado Air Data News a partir de dados de rastreamento mostrou que, por volta das 19h, praticamente nenhum E195-E2 da companhia aparecia em voo. A retomada começou pouco antes das 22h.
PROBLEMA NÃO SIGNIFICOU QUE OS AVIÕES FICARAM SEM CONDIÇÕES DE NAVEGAR
Esse ponto é fundamental.
Um problema na recepção do GPS não significa que uma aeronave simplesmente perde toda sua capacidade de navegação.
Segundo a Embraer, os E2 possuem sistemas e procedimentos de navegação que permitem operação segura em condições de instabilidade do GPS e atendem aos requisitos aplicáveis da aviação civil.
A própria fabricante informou que a ocorrência não comprometeu a segurança de voo.
Entretanto, determinadas funções e procedimentos de navegação podem ficar indisponíveis quando existe perda da recepção do GPS. Dependendo das condições operacionais e dos requisitos necessários para determinado voo, isso pode impedir ou restringir sua realização.
Daí a necessidade das medidas preventivas e dos consequentes cancelamentos.
EMBRAER CONFIRMA OCORRÊNCIAS E PRESTA SUPORTE
A Embraer confirmou ter recebido relatos de instabilidade na recepção de GPS envolvendo alguns tipos de aeronaves, entre eles a família E2.
A fabricante brasileira informou que acompanha a situação junto aos operadores e ao fabricante dos equipamentos, presta suporte técnico aos clientes e conduz as ações necessárias para solucionar a ocorrência.
A investigação técnica envolve também a Honeywell, fornecedora da suíte de aviônicos Primus Epic 2 utilizada no E2.
A Honeywell informou estar investigando um problema relacionado à recepção dos sinais GPS por aeronaves e buscando identificar sua causa.
MAS FOI REALMENTE UMA FALHA GLOBAL?
Aqui existe uma informação que merece atenção.
A Azul utilizou inicialmente a expressão instabilidade global.
Entretanto, o Air Data News monitorou operações de aeronaves E190-E2 e E195-E2 no exterior durante o período e encontrou aviões da família realizando voos normalmente na América do Norte, Europa, Ásia, África e Oceania.
A Porter Airlines, do Canadá, por exemplo, continuou operando aeronaves E195-E2 enquanto a frota da Azul enfrentava forte restrição no Brasil.
Isso não significa que a informação da Azul esteja necessariamente incorreta, porque o problema pode ter afetado equipamentos, configurações ou operações de maneiras diferentes.
Mas demonstra que, até agora, a causa técnica exata e a dimensão da ocorrência ainda precisam ser esclarecidas.
Embraer e Honeywell continuam investigando.
MAIS DE 80 VOOS CANCELADOS
O impacto operacional foi significativo.
Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (23), foram:
mais de 80 voos cancelados;
aproximadamente 8 mil passageiros afetados;
outros voos atrasados ou remanejados.
A Azul informou que os passageiros atingidos estão recebendo a assistência prevista e que as medidas foram adotadas priorizando a segurança operacional.
E VIRACOPOS AINDA ENFRENTOU UM APAGÃO NO MESMO DIA
Para os passageiros que passaram pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, a terça-feira foi ainda mais complicada.
Horas antes dos problemas envolvendo os E195-E2, uma falha elétrica atingiu parte do terminal de passageiros.
A ocorrência começou por volta das 3h10 e afetou subestações responsáveis pelo fornecimento de energia ao saguão de check-in.
Balcões das companhias, equipamentos de raio-X e painéis de informações foram afetados. A energia foi restabelecida por volta das 6h30.
PISTAS NÃO FORAM AFETADAS PELO APAGÃO
Apesar da dimensão do problema dentro do terminal, existe outra diferenciação importante.
As pistas de pouso e decolagem não ficaram sem operação por causa da falha elétrica.
Pátio de aeronaves, pistas, vias de acesso e Terminal de Carga não foram diretamente afetados.
O problema ocorreu principalmente nos sistemas relacionados ao processamento dos passageiros dentro do terminal.
Como check-in e inspeção de segurança ficaram prejudicados, os embarques ficaram mais lentos e isso acabou repercutindo nos horários das aeronaves.
CPFL DIZ QUE PROBLEMA ESTAVA DENTRO DO AEROPORTO
A CPFL Paulista informou que sua rede externa funcionava normalmente durante a ocorrência.
Segundo a distribuidora, a falha teve origem nas instalações internas do aeroporto.
A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos informou ainda que equipamentos auxiliares destinados a atuar em situações de interrupção também não funcionaram como esperado e que as causas seriam investigadas.
O EFEITO CASCATA DOS ATRASOS
Mesmo depois que um problema aeroportuário é solucionado, a malha aérea não necessariamente volta ao normal imediatamente.
Isso acontece porque uma mesma aeronave costuma realizar diversos voos durante o dia.
Se o primeiro trecho atrasa, o avião chega atrasado ao próximo aeroporto.
Consequentemente, sua próxima partida também pode atrasar.
Tripulações também trabalham dentro de limites regulamentares de jornada, passageiros precisam realizar conexões e aeroportos possuem horários programados para pousos e decolagens.
É o chamado efeito cascata.
Viracopos alertou que os reflexos da falha elétrica poderiam continuar sendo sentidos mesmo depois do restabelecimento da energia.
CAMPINAS SENTIU DOIS PROBLEMAS DIFERENTES
É importante não misturar as ocorrências.
APAGÃO EM VIRACOPOS: problema nas instalações elétricas internas do terminal.
INSTABILIDADE DO GPS: problema envolvendo recepção dos sinais de navegação que afetou especialmente a operação dos E195-E2 da Azul.
Não há, até agora, evidência de que uma ocorrência tenha causado a outra.
Elas simplesmente aconteceram no mesmo dia e seus impactos acabaram se sobrepondo para parte dos passageiros.
CAUSA DA INSTABILIDADE AINDA PRECISA SER ESCLARECIDA
A principal questão técnica agora é descobrir o que provocou a perda ou instabilidade na recepção dos sinais GPS.
Também será necessário esclarecer por que a Azul sofreu impacto operacional tão expressivo enquanto aeronaves E2 de outros operadores continuaram realizando voos em outras regiões do mundo.
Até que Embraer, Honeywell e operadores concluam suas análises, qualquer tentativa de atribuir definitivamente a ocorrência a uma causa específica seria prematura.
O que está confirmado é que o problema foi suficiente para provocar uma das maiores alterações recentes na operação dos E195-E2 da Azul, atingindo milhares de passageiros.
Para quem tem viagem programada, especialmente envolvendo Viracopos, a recomendação é consultar diretamente o status do voo junto à companhia aérea antes de se dirigir ao aeroporto.
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FONTE: Azul Linhas Aéreas / Embraer / Aeroportos Brasil Viracopos / CPFL Paulista / Air Data News / informações divulgadas em 22 e 23 de setembro de 2026
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